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Protejam seus filhos do bullying: família, não permita que o sofrimento seja silenciado

20/10/2026

O bullying não é uma brincadeira inofensiva. Apelidos ofensivos, humilhações, perseguições, ameaças e exclusão podem deixar marcas profundas na vida de crianças e adolescentes, afetando sua autoestima, suas relações sociais, sua aprendizagem e sua saúde emocional.

O influenciador Felca trouxe à tona reflexões sobre fobia social e sobre o sofrimento relacionado às experiências vividas. Seu relato nos convida a olhar com mais atenção para uma realidade que, muitas vezes, é minimizada: aquilo que alguns consideram apenas uma brincadeira pode representar uma experiência dolorosa para quem sofre.

A reflexão também nos leva a pensar em quantas crianças crescem carregando lembranças de humilhações, apelidos cruéis e perseguições sofridas durante a vida escolar. Nem sempre essas experiências ficam no passado. Para algumas pessoas, elas podem contribuir para o medo de se expor, a insegurança nas relações sociais e a dificuldade de confiar nos outros.

É importante destacar que a fobia social tem causas multifatoriais e não pode ser atribuída exclusivamente ao bullying. Entretanto, experiências repetidas de humilhação e rejeição podem contribuir para o sofrimento emocional e merecem ser levadas a sério.


Família, esteja atenta aos sinais!


Nem sempre crianças e adolescentes conseguem contar o que estão vivendo. Por medo, vergonha, insegurança ou receio de não serem compreendidos, muitos escondem o sofrimento e tentam enfrentar a situação sozinhos.

Mudanças de comportamento, resistência em ir à escola, isolamento, tristeza frequente, alterações no sono e medo de determinados colegas ou ambientes são sinais que merecem atenção.

Esses comportamentos não significam necessariamente que exista bullying, mas devem ser acolhidos com cuidado, diálogo e, quando necessário, acompanhamento especializado.


Não espere que seu filho peça ajuda para começar a observar, conversar e proteger.

Não minimize a dor de uma criança


“É só uma brincadeira.” “Você precisa aprender a se defender.” “Isso sempre aconteceu nas escolas.”

Frases como essas podem aumentar o sentimento de desamparo de quem sofre bullying. Quando os adultos minimizam a situação, a criança pode concluir que não será ouvida e que precisa suportar tudo em silêncio.

Nenhuma criança deve precisar aceitar humilhações para ser incluída em um grupo. Nenhuma deve ser obrigada a enfrentar perseguições para provar que é forte.

A responsabilidade de interromper o bullying não pode ser colocada exclusivamente sobre a vítima. Família, escola e sociedade precisam agir para prevenir, identificar e enfrentar essas situações.


O que a família pode fazer?



O bullying não pode ser tratado como parte natural da infância


Crianças também podem ser cruéis. A infância não torna toda atitude inocente, e a ausência de maturidade não elimina a necessidade de ensinar limites, respeito e responsabilidade.

Quem pratica agressões precisa ser orientado e responsabilizado de maneira adequada à sua idade. Quem presencia o bullying precisa aprender que apoiar a vítima e procurar ajuda são atitudes importantes. E os adultos não podem se omitir diante de situações de violência.

A prevenção exige educação, diálogo e intervenção efetiva.


Um cuidado especial com crianças com Altas Habilidades/Superdotação e Dupla Excepcionalidade


Crianças com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) e com Dupla Excepcionalidade (2E), incluindo aquelas que apresentam altas habilidades associadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), também precisam encontrar na escola um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso.

Características individuais, interesses específicos, formas de comunicação ou maneiras diferentes de interagir jamais devem servir de justificativa para apelidos ofensivos, discriminação, perseguição ou exclusão.

Cada estudante tem direito a ser respeitado em sua singularidade e a desenvolver suas potencialidades sem medo de ser humilhado.


O alerta do Instituto RAISES


O debate provocado pelo relato do Felca reforça a importância de escutarmos quem sofreu e ainda sofre as consequências de experiências dolorosas. Mais do que discutir os efeitos do bullying quando as marcas já estão presentes, precisamos agir para que outras crianças não passem pela mesma situação.

O Instituto RAISES defende o acolhimento, a proteção e o respeito aos direitos de crianças e adolescentes, com atenção especial às necessidades de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação e Dupla Excepcionalidade.


Família, proteja seus filhos. Observe os sinais, escute o que eles têm a dizer e não normalize a violência.


Uma criança que sofre bullying precisa de adultos que acreditem nela, acolham sua dor e tomem providências. O silêncio não pode ser a única saída.

Porque uma brincadeira para alguns pode se transformar em uma lembrança dolorosa para outros. E nenhuma criança deveria carregar sozinha as marcas de uma violência que poderia ter sido interrompida.


Instituto RAISES | Pela proteção, pelo acolhimento e pelos direitos de crianças e adolescentes.